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sábado, 14 de janeiro de 2023

As Travestidas se despedem dos palcos após 15 anos colocando em cena a arte LGBTQIA+ em Fortaleza



Teatro, música, dança, humor, audiovisual. Falar d’As Travestidas é sinônimo de coletivo com duplo sentido: de pessoas e de artes. O grupo que transpassou durante 15 anos os palcos de Fortaleza — e do Brasil — se despede do público neste domingo (15), com duas apresentações no Cineteatro São Luiz, no Centro da capital.

O coletivo surgiu a partir das inquietações de Silvero Pereira, ator que interpretou Zaquieu, na novela Pantanal, exibida em 2022 na TV Globo. Como um dos fundadores do coletivo, o cearense dá vida à drag queen Gisele Almodovar nos palcos em que se apresenta com As Travestidas.

Além de Silvero, sobem aos palcos para a despedida d’As Travestidas a Mulher Barbada, Yasmin Shirran, Patrícia Dawson, Verónica Valenttino, Karolaynne e Betha Houston. O coletivo teve ainda outras participações como Alicia Pietá e até Jesuíta Barbosa, que fez “Joventino” também em Pantanal.

“Há 20 anos, quando eu fui tocado pela questão travesti, transexual, transformista, eu vi o teatro como um lugar para questionar, trazer essas inquietações ao palco. A 20 anos atrás, essas discussões não eram tão amplas, e havia um conhecimento bem menor do que o que se tem hoje”, comentou o ator em entrevista ao g1.


Na avaliação dele, o coletivo conseguiu remodelar as políticas públicas para a população de lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, queers, intersexuais, assexuais e outros (LGBTQIA+) através da arte, e também a dramaturgia com relação às questões de gênero e sexualidade.

A decisão de encerrar o coletivo, no entanto, vem em um momento em que, para ele, novas cenas precisam ser escritas. “As Travestidas não dão mais conta dessa demanda que foi criada 15 anos atrás. Hoje existe uma outra demanda, um outro público, que merece mais espaço e visibilidade para contar suas histórias”, complementou Silvero.

‘A gente se encontrou e foi muito bonito’


O ator Denis Lacerda — ou Deydianne Piaf, quando sobe aos palcos — é um dos primeiros membros a entrar para o coletivo, a convite de Silvero. Após 15 anos, mantém a gratidão. “A gente se encontrou e foi muito bonito. O Silvero foi o ponto-chave desses encontros; fazendo os convites, entendendo as potencialidades de cada pessoa”, disse a drag queen.

Denis comentou também que o coletivo decidiu encerrar porque as integrantes estão focadas em outros projetos nas próprias carreiras. No balanço dos 15 anos, o humorista exalta o orgulho e nega os arrependimentos.